Hospital Santa Virginia - Institucional - Notícias



A diabetes é mais comum do que você imagina. Previna-se!

Confira entrevista exclusiva com o Dr. Alexandre Pipolo, endocrinologista do Hospital Santa Virgínia (HSV), e esclareça algumas dúvidas sobre a doença

Em 14 de novembro, é celebrado o Dia Mundial da Diabetes. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes, existem cerca de 415 milhões de diabéticos no mundo, sendo que 40% deles desconhecem ter a doença.

Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, entre 2006 e 2016, o número de brasileiros com diabetes subiu de 5,5% para 8,9%. Isso significa uma elevação de 61,8% da doença na população do país neste período. Além disso, conforme o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), de 2010 a 2016, o número de mortes decorrentes da diabetes cresceu 12% no Brasil, passando de 54.877 para 61.398 óbitos.

Quer saber mais sobre a doença? Veja a entrevista na íntegra e previna-se!

O que é diabetes?

Dr. Alexandre Pipolo: Diabetes é uma doença crônica caracterizada pelo aumento da glicose no sangue, por uma deficiência na produção e/ou ação da insulina do paciente. Este hormônio é produzido pelo pâncreas, sendo responsável por manter os níveis de glicose normais para o organismo saudável.

Quais são os tipos de diabetes?

Dr. Alexandre Pipolo: Existem muitos tipos de diabetes, por exemplo, causados por alterações genéticas, pancreatite, tumor no pâncreas, induzida por medicamentos, entre outros. Contudo, os mais comuns são os tipos 1 e 2.  A diabetes tipo 1 (DM1) costuma ser diagnosticada na infância ou adolescência e representa entre 5% e 10% dos casos.  Já a diabetes tipo 2 (DM2) representa cerca de 90% dos casos e o diagnóstico ocorre, na maioria das vezes, em adultos. Também existe a diabetes gestacional, que pode ocorrer entre 2 e 4% das gestantes.

Quais são os fatores de risco para diabetes tipo 2?

Dr. Alexandre Pipolo: Diferente da DM1, em que o mecanismo de ação da doença é autoimune e ocorre mais por influência genética, os principais fatores de risco para DM2 são: excesso de peso (sobrepeso/obesidade, principalmente na região abdominal), idade (superior a 45 anos), hipertensão arterial sistêmica (pressão alta), nível baixo de HDL (colesterol bom) e/ou triglicérides alto, antecedente familiar (pais, irmãos), doenças que podem estar associadas a diabetes (como insuficiência renal), antecedente de diabetes gestacional, síndrome dos ovários policísticos, uso crônico de corticoides, entre outros. Pacientes que têm os fatores de risco para diabetes devem consultar o médico regularmente para a realização de exames diagnósticos e intervenção, quando possível.

A diabetes apresenta sintomas? Quais?

Dr. Alexandre Pipolo: Os sintomas dependem dos níveis de hiperglicemia do paciente. Geralmente, são mais evidentes em diabetes tipo 1, podendo ser: excesso de urina (poliúria), excesso de sede (polidipsia) e fome excessiva (polifagia) associados à perda de peso. Cerca de 50% dos diabéticos tipo 2 são assintomáticos ou oligossintomáticos (com sintomas discretos), o que dificulta o diagnóstico e tratamento da doença. Podem apresentar sinais inespecíficos como fraqueza, tontura, alteração visual, entre outros. Além de infecções de repetição, por exemplo, vulvovaginites em mulheres.

Quais são as principais maneiras de prevenir a diabetes?

Dr. Alexandre Pipolo: Evitar e tratar os fatores de risco para o desenvolvimento da doença é fundamental, com atenção especial ao excesso de peso (sobrepeso e obesidade), cujo tratamento passa por uma mudança do estilo de vida (alimentação balanceada, atividade física frequente, entre outros). A realização de exames periódicos é essencial. Se o paciente já foi diagnosticado com pré-diabetes, é importante procurar um endocrinologista para estabelecer uma estratégia de seguimento e, eventualmente, já um tratamento.

Como é diagnosticada a diabetes?

Dr. Alexandre Pipolo: O diagnóstico é feito a partir da glicemia de jejum, em um simples exame de sangue. Outra maneira é pelo exame da curva glicêmica (teste oral de tolerância a glicose, feito em 2h). O exame da hemoglobina glicada também pode ser usado como critério diagnóstico, além de valores muito altos de glicemia associados com sintomas de hiperglicemia.

O que é pré-diabetes?

Dr. Alexandre Pipolo: É uma doença em que os níveis de glicose estão mais elevados do que o normal, mas não em estágio de diabetes. Ela deve ser observada com bastante atenção, porque mais de 50% dos casos vão evoluir para a diabetes. Quando diagnosticada no início, pode ser revertida ou então retardar o desenvolvimento da diabetes. Neste caso, o tratamento mais importante é a mudança de hábitos alimentares e a prática de atividades físicas, combatendo o excesso de peso. Também nesta etapa, o endocrinologista pode avaliar a prescrição de medicamentos antidiabéticos, antiobesidade, entre outros.

O que é a diabetes gestacional?

Dr. Alexandre Pipolo: A diabetes gestacional é uma doença de importante diagnóstico, por apresentar riscos de crescimento fetal (macrossomia fetal), dificuldade no parto (parto traumático), hipoglicemia após o nascimento (neonatal), entre outros. Esta doença também é um fator de risco para a mãe desenvolver DM2 no futuro, e para o bebê quando estiver na fase adulta.

O rastreamento é feito durante o pré-natal, por volta da 24ª semana, com o exame de curva glicêmica. Caso seja diagnosticada, a grávida passa por um acompanhamento com endocrinologista, para orientar uma dieta adequada, muitas vezes, com o auxílio de uma nutricionista. Além disso, é avaliada a necessidade de tratamento com insulinas, já que os medicamentos via oral não são liberados para uso na gestação.

Na gestação, o obstetra e o endocrinologista ficam mais atentos se a gestante possui fatores de risco para diabetes gestacional como idade avançada, obesidade antes da gestação, ganho de peso acima da média durante a gravidez, história prévia de diabetes gestacional (ou de filhos nascidos com mais de 4Kg), síndrome dos ovários policísticos, entre outros.

Qual é a forma de tratamento da diabetes?

Dr. Alexandre Pipolo: O tratamento depende do tipo de diabetes e de cada caso clínico. A mudança do estilo de vida, com perda de peso e atividade física regular, é indicada a todos os pacientes. Para o tratamento da DM2, dispomos de várias opções terapêuticas de antidiabéticos, via oral ou parenteral (subcutânea). O endocrinologista personaliza a medicação (isolada ou associada) que melhor se encaixa para cada paciente. Para a DM1, a insulinoterapia é o tratamento essencial, porém, as insulinas também podem ser usadas na DM2, geralmente em associação com os antidiabéticos via oral.

Quais as principais complicações da diabetes?

Dr. Alexandre Pipolo: As complicações podem afetar diversos órgãos e regiões do organismo, porém, elas podem ser prevenidas pelo bom controle da diabetes e de outras doenças associadas como: hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia (colesterol e/ou triglicérides altos no sangue), cessação do tabagismo, entre outros.

As principais complicações relacionadas à diabetes são: doença renal da diabetes (nefropatia diabética), que representa a principal causa de diálise; retinopatia diabética (problemas na retina), que é a principal causa de cegueira no adulto, além da diabetes ter uma maior associação com glaucoma (hipertensão intraocular) e catarata (opacidade da lente cristalino); pé diabético (neuropatia, arteriopatia), que é a principal causa de amputação não traumática nos membros inferiores; doenças cardiovasculares (chamadas de complicações macrovasculares), que representam a maior causa de mortalidade no Brasil e em vários países do mundo - incluem as doenças cerebrovasculares (Acidente Vascular Cerebral - AVC), doenças coronarianas (Infarto Agudo do Miocárdio - IAM) e as doenças arteriais nos membros inferiores (trombose arterial nas pernas);

Vale também citar a cetoacidose diabética, uma descompensação aguda (diferente das anteriores, que são complicações crônicas), que pode ocorrer principalmente na diabetes DM1 descompensada, apesar de também ocorrer na diabetes DM2.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Hospital Santa Virgínia

 Imprensa  Centenário  Contato
Av. Celso Garcia, 2.294 - Belenzinho - SP
Hospital Santa Virgínia © 2018