Conhecendo o Fundador

Nascido em Roma, em 2 de agosto de 1878, o Dr. Carlo Brunetti era dotado pela natureza por um temperamento rico e de um caráter íntegro. Moldado progressivamente pela graça divina, gravou ele próprio em sua longa jornada uma das personalidades mais eminentes do meio contemporâneo.

Carlo Brunetti estudou Medicina na Universidade de Roma, onde se diplomou em 1904. Por concurso, conquistou os melhores títulos e posições nos hospitais de Roma: Sta. Maria Della Consolazione; Sto. Spirito in Sassia; San Giovanni in Laterano; Ospedali Riuniti di Roma; San Giacomo in Augusta; e Bambino Gesú.

Obteve os mais lisonjeiros certificados dos professores: Raffaele Bastianelli, Marchiafava, Marino, Zucco, Micheli, Ferretti e Margarucci, com quem trabalhou e fez escola. Sua carreira culminou em Roma, com a conquista da livre docência de patologia especial e cirúrgica na Rela Universidade de Roma (1913 prof. E. Marchiafava, reitor). Fez cursos de aperfeiçoamento em Viena, Munique e Paris.

Em toda sua carreira, o Dr. Brunetti nunca deixou de acompanhar os progressos da ciência médica e afins, cujas pesquisas lhe faziam exclamar: “Há médicos que tem a coragem de dizer que, sob a ação do bisturi, nunca encontraram nem a sombra de Deus. Eu, ao contrário, encontro-o a toda hora, em cada operação que faço”. É o princípio do grande Bacon: “A muita ciência aproxima de Deus, a pouca ciência afasta dele”.

Por meio desse conhecimento experimental e profundo, teórico e prático, cada dia mais confiante nos resultados obtidos, tornava-se ansioso o Dr. Brunetti de arrancar à morte os mistérios da vida. Aplicava, assim, a ciência a defender o corpo humano, tão frágil quanto perfeito, a reparar-lhe as perdas e curar-lhe as enfermidades. É por todos conhecida a competência profissional do Dr. Carlo Brunetti, seu diagnóstico iluminado e rápido, sua intervenção decidida e enérgica, seu preparo escrupuloso para o ato operatório, sua mão firmíssima e a perfeição acabada de sua perícia técnica.

Mas não era só a competência com técnica que ele operava. Verdadeiro médico cristão, era com o coração nas mãos que ele agia junto dos doentes. Nestes, não considerava apenas o corpo como matéria inerte, embora preciosa, mas um homem, em seu semelhante, um irmão que sofria entre suas mãos.

Sua admirável fé cristã foi observada ao longo de sua vida, pois viveu sua juventude numa época em que, nas altas escolas italianas, dominavam o positivismo e o materialismo e em que ainda, se repetia, e com razão, a frase de Pio VII; “medicuspius Miranda”, ou seja, “um médico piedoso, coisa prodigiosa”.

Neste contexto, veio para o Brasil, em 1913, onde encontrou amplo terreno de aplicação de seus conhecimentos, sendo logo convidado para professor de anatomia humana e descritiva e, em seguida, para professor de clínica cirúrgica na Universidade Livre de São Paulo, que existiu entre 1912 e 1918. Após uma vida de intensa dedicação à saúde e à caridade, faleceu em 24 de maio de 1960.

Fontes: P. Nicolau P. Rossetti, S.J. Prof. Dr. Carlo Brunetti. São Paulo: Paulinas, 1978 (adaptado)