O começo de tudo...

Em 5 de abril de 1911, a Lei Rivadávia Corrêa tornou livre o ensino no Brasil, possibilitando a criação de uma série de escolas pela iniciativa privada. Em 19 de novembro do mesmo ano, foi fundada a Universidade Livre de São Paulo, cujo quadro de docentes passou a contar, dois anos depois, com o Prof. Dr. Carlo Brunetti.

A Universidade Livre de São Paulo comprou, em 5 de julho de 1915, uma chácara na Avenida Celso Garcia, no Belenzinho, para a construção de um hospital que possibilitasse a prática dos alunos do curso de Medicina. No ano seguinte, a Instituição fundou a Associação Beneficente Universitária (Hospital de Caridade do Braz “Instituto Luiz Pereira Barreto”).

O terreno, de 16.500 metros quadrados, foi comprado por 165 contos de réis. A planta foi elaborada pelo arquiteto Alexandre Albuquerque, professor da Universidade, e a construção ficou a cargo dos engenheiros Gino Pinotti e Ugo Gáudio.

O prédio de dois andares, construído em forma de V e com tijolos, como era usual para estabelecimentos hospitalares e escolares na época, possuía salas de cirurgias, gabinete de análises, farmácia, policlínica, enfermarias, banheiros, cozinha, capela, necrotério e horta. Também apresentava janelas amplas para o fornecimento de luz e ventilação, consideradas fundamentais na recuperação dos doentes.

Nessa época, os alunos passaram a utilizar a policlínica da Instituição para atender à população. Com isso, tornou-se o primeiro hospital-escola do Estado de São Paulo.

Os grupos envolvidos na fundação e manutenção da Associação pertenciam às elites sociais, políticas, intelectuais e da Igreja Católica.

Os recursos para o projeto foram obtidos por meio de doações privadas e ajuda financeira do poder público municipal. A Associação possuía uma comis são angariadora de donativos e contava, em 1917, com 134 sócios que contribuíam com quantidades diversas. Na relação dos sócios, estão figuras de destaque no meio social e professores da Escola, como Washington Luiz – então prefeito da capital, e o Prof. Dr. Carlo Brunetti.

O hospital-escola também recebia doações de mantimentos e equipamentos, feitas por diversas pessoas (inclusive doentes que haviam recebido tratamento no local) e instituições. Contribuíram mulheres da elite, cujas famílias possuíam indústrias na região, por exemplo, as Indústrias Matarazzo, que doaram toalhas e guardanapos. Em 1917, a Beneficência Portuguesa doou uma mesa de operação. Já a Associação Universitária cedeu um busto de bronze de Luiz Pereira Barreto. Naquele ano, também foram organizados festivais para arrecadar fundos, durante os quais eram vendidos flores e cigarros.

Por questões políticas, a Universidade Livre de São Paulo encerrou suas atividades em 1918, transferindo seus alunos para outras instituições de ensino do País, entre elas a Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, escola oficial vinculada à Universidade de São Paulo (USP).

Já o hospital continuou com os atendimentos gratuitos e particulares. Nessa época, as equipes faziam curativos, pequenas operações e tratamentos em domicílio. A Instituição era dirigida por Eduardo Augusto Ribeiro Guimarães. Carlo Brunetti era subdiretor e Justino Silva Carvalho, administrador. Em 1918, Carlo Brunetti e Salvatori Battaglia adquiriram o hospital.

Fonte: Montando um quebra-cabeça: a coleção "Universidade de São Paulo" do Arquivo Público do Estado de São Paulo (Maria Lucia Mott, Ivomar Gomes Duarte e Marcela Trigueiro Gomes)

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